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segunda-feira, 16 de maio de 2016

Pelos teus olhos

"You don't understand me now, I wonder if you ever will, I wonder if you'll ever try.

And don't get sad about, All the strange things i wrote, They faded as the ink dried.

So I say go, go, Hold your fists high, Grown, slow, Stand up for the fight though, I hope you never have to.
So I say run, run, My sparkling light, Have your fun, And then come home at night,

I'm sure you'll tell me something new, I can see the world through you.
Frozen lakes and ice storms, Most you'll cross on your own, You'll face the biggest landslides.
I'll catch you on the hardest falls, I'll carry you inside these walls, We'll sing through the highest tides." - "I See The World Through You", David Fonseca


É difícil, é a única frase feita que me ocorre. 

É abominável a forma como isto me come, rói e destrói. Porque tu nem te interessas por isso... Ou pior, porque te interessas mais que qualquer outra alma. O que se passa deste lado oposto ao teu.
São os teus olhos humedecidos por culpa ou desculpa. Ou pior, por não teres culpa nenhuma. 


Nada que te diga te seca o olhar. Nenhum dos teus toques nas minhas mãos, no meu cabelo, na minha cara seca o meu. Estamos aqui os dois, juntos, mais sozinhos que nunca, a deixar que algo fale por nós, mas nenhum de nós consegue ouvir. Tenho que te deixar ir, partir em busca de ti própria, algo que nem tu sabes definir. E eu também não. 

Algo em mim sabe que tem que ser, que precisa de ser, que eu também preciso da derrota e da saudade para ser mais que aquilo que fui, mais que aquilo que mostrei a ti e ao mundo. Mas custa ver o novo mundo longe do meu olhar. Tudo isto é uma canção sofrida que toca ao longe, muito afastada dos meus ouvidos, que cantas com uma voz nova que descobriste. 

Sei que vais cair, vais levantar, sorrir e sofrer, e eu também! E nenhum de nós estará por perto, agora. Os dias são outros. Terão menos gosto, menos liberdade e carinho. Serão rotina polvilhada com morte lenta. São dias que não merecem ser vividos porque tu não estás, disse-te num dia já esquecido, quando este nosso castelo começou a ruir. 

Brilhas hoje mais que ontem e menos que amanhã. Obrigo-me a sorrir por isso. Cá dentro brigam emoções e sentimentos, uns contra os outros, sem que seja cantada vitória por qualquer um dos lados. 


Estranho. É tão difícil e estava já escrito algures que seria assim.
O amanhecer que perdurará uma vida inteira é-o sem a mais pequena dose de nuvens ou ventos. É estranhamente pacífico. É o inverso da tempestade que nos atravessa. 
Estranho. Ver o mundo, pelos teus olhos, fechando os meus, é tão estranho. 

Mas é o que tem de ser, o que precisa de ser. 
Mesmo que o não queira. Nem tu. 


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